Cirurgia da Pedra na Vesícula

O QUE É A DOENÇA DA PEDRA NA VESÍCULA?  A primeira cirurgia minimamente invasiva para o tratamento de pedras na vesícula (colecistectomia), também conhecidas por cálculos biliares ou colelitíase, feita no Brasil ocorreu em 1989. De lá para cá, o uso dessa técnica se tornou tão seguro e com efeitos adversos pequenos, que a remoção laparoscópica da vesícula biliar passou a ser a conduta médica mais indicada para as pessoas com pedras na vesícula.

A vesícula biliar é um órgão pequeno localizado junto ao fígado e próximo do duodeno, que armazena a bile. A bile é um liquido produzido pelo fígado com um importante papel na absorção das gorduras. A bile é lançada no tubo digestório com a missão de emulsificar a gordura, ou seja, fragmentar os glóbulos de gordura, de forma a favorecer a ação das enzimas responsáveis por sua digestão.

 

QUEM TEM MAIOR RISCO? Além da predisposição familiar, as pedras na vesícula surgem a partir de dietas ricas em gorduras e carboidratos e pobres em fibras. Elas estão também associadas à elevação do LDL (mau colesterol) e à diminuição do HDL (bom colesterol); à hipertensão; à diabetes; e à elevação do nível de estrogênio.

Segundo dados do Ministério da Saúde, dois em cada dez brasileiros sofrem com pedras na vesícula, sendo as mulheres com mais de 40 anos de idade as mais afetadas.

 

COMO É A DOR? Dor no abdome no lado direito, região do estômago, associado a náuseas ou vômitos, que piora com alimentação gordurosa ou em grande quantidade. Pode evoluir com comprometimento de outros órgãos – como o pâncreas – quando os cálculos migram pelo canal principal. Pode cursar com icterícia (amarelão), febre e sinais de infecção grave se não tratada no tempo adequado.

 

ALGUM EXAME PODE AUXILIAR O MÉDICO? Os exames de ultrassom do abdômen auxiliam no diagnóstico de cálculos na vesícula e seu grau de complicação. 

 

QUAL O TRATAMENTO?  Como o organismo consegue digerir e absorver todos os alimentos normalmente sem a vesícula, o tratamento cirúrgico consiste na remoção total desse órgão, muito diferente da estratégia adotada para tratamento de pedras nos rins. A vesícula está doente. Por isso não adianta retirarmos apenas as pedras, pois elas seriam novamente formadas.  Além isso, a retirada da vesícula elimina o risco de pancreatite (doença do pâncreas) ocasionada por cálculos na vesícula.

Por meio de pequenas incisões na região superior do abdômen, pinças cirúrgicas são introduzidas no interior da cavidade abdominal e usadas para extrair a vesícula biliar. Esse procedimento é feito com o uso de uma câmera, igualmente introduzida no abdômem, que permite acompanhar visualmente toda a intervenção. Nos últimos anos, os orifícios necessários para esse tipo de cirurgia se tornaram cada vez menores, variando hoje entre 3 e 5 mm.   

Apesar da cirurgia para pedra na vesícula ter um baixíssimo índice de complicação, como em qualquer procedimento invasivo a taxa nunca é zero. Sendo assim, é imprescindível procurar um profissional habilitado para realizá-la.

Habitualmente a equipe é composta por um anestesista e 3 cirurgiões aptos a realizar esse procedimento do início ao fim.

 

E DEPOIS DA CIRURGIA? Geralmente, o paciente fica um dia internado e pode retornar às atividades normais em aproximadamente uma semana / 10 dias – isso depende da função que cada paciente desempenha. A diarreia é a complicação mais comum no pós-operatório das cirurgias para a remoção da vesícula, mas apresenta baixa ocorrência. A grande maioria dos pacientes têm uma vida normal após a cirurgia – respeitados os prazos de adaptação e recuperação de cada indivíduo.